No artigo "Educação orientada para competências e Currículo centrado em problemas", Eduardo Chaves aponta diferentes aprendizagens alcançadas em situações reais por crianças, antes de chegarem à escola. A aprendizagem nessa fase, que antecede a educação infantil formal, ocorre de maneira espontânea num contínuo sistemático que segue o ritmo da vida. O currículo então é a própria vida da criança e do seu entorno ou, ainda, todo e qualquer problema que venha a se constituir obstáculo para a fluência das mais variadas aprendizagens que compõem a vida desta criança.

Ao chegarmos à escola, alunos e professores, sentimos quebrar esse ritmo natural da aprendizagem. O educador vai organizando seu trabalho em forma de pacotes que atendam a um grupo específico de aprendizagens que são, muitas vezes, selecionadas por ele para serem alcançadas por seus alunos. Nem sempre, a nova ordem proposta pelo professor ao aluno é a que este deseja ou necessita.

Ao longo desse caminho, o que antes fazia muito sentido acaba se esvaziando. Sem direcionar a educação formal para a construção de competências que deem conta das questões impostas pela vida, o trabalho docente vai perdendo a cadência e até se afastando do aluno. Observar a aprendizagem espontânea da criança antes de a mesma ingressar na escola, nos permite identificar que esta se apropria de processos sofisticados que aprende. Processos que aparecem, sozinhos ou agrupados, em  situações cuja aplicabilidade resulta na solução de problemas da vida imediata, real, objetiva. A esses processos sofisticados e cumulativos podemos chamar de competências. Para dar conta de determinadas competências mobilizamos fazeres específicos que se  materializam através de nossa maior ou menor  habilidade para darmos conta de  nossa tarefa. 

Continuo depois… estou ainda pensando sobre o que escrevi aqui a partir de minhas leituras sobre competências exigidas pelo nosso século. E, concordemos, que "sujeitinho exigente" esse tal Século XXI.