A menininha anda pela casa meio que perdida, entre os móveis da gente grande. Vai se conduzindo com seus passinhos ligeiros e tentando alcançar os objetos que os adultos buscam proteger em vão. Zááásss… já é tarde… a menininha alcança, "curiou" e tifffff caiu de sua mãozinha delicada. Quebrou! Mas foi o barulhinho que fez no chão que foi bonito demais, queria ouvir de novo. Cara feia… eh, acho que não dá. É melhor buscar outro brinquedo.
 
Lá vai no seu passinho rápido e feliz. Alguém a alcança pelo bracinho: hora de comer! Papinha, sopinha, arrozinho… que comidinha sem graça! Melhor é uma surpresinha, de preferência embrulhada em papel colorido, daqueles que escondem o doce proibido. E o chocolate tão desejado fica nos sonhos da menininha. Deixa pra lá, é melhor comer um pouquinho da comidinha feita pra criança mesmo. A surpresa fica pra mais tarde.
 
E assim, a menininha engole as colherinhas de comida ao tempo em que derrama muito mais do que o que engole. Tem pressa não. Criança, menino ou menina, não sabe o que é pressa e gosta mesmo de conversar enquanto come comidinha de gente pequena. E quando gente grande não tem paciência com as criancinhas, então vem o choro sentido, a dor que não poderia nunca habitar o corpinho e os sentimentos lindos de todas as criancinhas.
 
Quando vi no noticiário, aquela mulher de cabeleira tão loura bater na menininha de 2 anos e 10 meses, lembrei-me, na hora, de todas as menininhas  que são iguaizinhas a ela. Meu Coração partido ficou muito pequenininho por ver a menina, tão pequenina, sofrer tanto.