Estar no mundo é estar entre pessoas e ser pessoa, gente capaz de expressar as próprias ideias e receber as ideias dos outros. Uma relação cotidiana que exige reciprocidade para fluir e contribuir com o crescimento de cada um que está na relação.

Entender a ideia, o sentimento do outro é tão importante quanto nos fazermos entender. Podemos compreender o outro sem, necessariamente, concordar com ele. O entendimento não passa pela aceitação, pode conter muito desta, mas não é esta. Respeitar o outro é ser tolerante e a tolerância me faz respeitar quem sou e quem passa pelo meu caminho.

Às vezes, espanta-me como pessoas de diferentes idades, credos e toda sorte de divisões criada pelo próprio homem pode estranhar o semelhante por coisas tão pequenas, insignificantes. Se penso no trânsito: o motorista que xinga o semelhante que demorou a "arrancar" quando o sinal abriu, o pedestre que foi insultado porque o sinal abriu e ele ainda estava atravessando a faixa; se penso na sala de aula: o aluno que captura imagens de um professor para criar uma comunidade ofensiva sobre este só porque o mestre pediu que o pupilo sentasse em outro lugar da sala; se penso na família: um pai ou uma mãe que permite que o filho cresça com uma rotina de adulto e depois cobra que o mesmo seja responsável com estudos e outros compromissos para os quais não teve apoio, orientação.

Perceber a intolerância diária na relação entre as pessoas, nos ensina muito sobre nossa tarefa de educar a nós mesmos e aos outros. Nunca vivemos um tempo tão carente de tolerância; sejamos, pois, mais tolerantes…apenas isso. É tão mais humano.